31-03-2012
A Antiga Arte dos Tanoeiros

Os Silenciosos Heróis Do Vinho Porto


Vamos falar de um herói muitas vezes esquecido. Assim como o comércio do vinho do Porto nunca poderia ter-se desenvolvido sem o barco rabelo, que transportava corajosos marinheiros que arriscaram as suas vidas para trazer o vinho da região vinhateira até ao Porto, o mesmo pode ser dito dos tanoeiros.

Durante séculos, gerações de tanoeiros dedicaram as suas vidas à arte da tanoaria, fazendo milhares de pipas, toneis e balseiros de madeira, usados para o transporte e envelhecimento do vinho do Porto Taylor’s.

Hoje o vinho do Porto já não é transportado em pipas mas, para o seu envelhecimento as pipas, toneis e balseiros de madeira envelhecida são um pré-requisito essencial para a produção de vinho do Porto de qualidade, o que significa que o ofício de tanoeiro é hoje tão importante como antes.
Na verdade, é graças a estes homens dedicados e apaixonados que a Taylor’s coloca na arte da tanoaria a mesma exigência e atenção ao detalhe que emprega em cada passo necessário à produção do seu vinho do Porto.

É uma expressão típica dos tanoeiros: ‘Enquanto houver vinho do Porto, haverá tanoeiros', e como estão certos.

Um Saber Que Passa De Pai Para Filho


A história dos tanoeiros da Taylor’s é uma história de famílias, de saber ancestral e de segredos que são passados de geração em geração.

Manuel Alves de Jesus, now Head Cooper at Taylor’s lodges in Vila Nova de Gaia
Manuel Alves de Jesus é o tanoeiro chefe dos armazéns da Taylor’s em Vila Nova de Gaia.

Foi com 5 anos de idade que começou a aprender a arte da tanoaria com o seu pai. Aos 12 já dominava as bases desta arte. Adelino Silva, tanoeiro chefe da dos armazéns da Taylor’s no Douro é a terceira geração de tanoeiros na sua família.

Para estes dois homens, a arte da tanoaria corre nas suas veias. Contudo a sensibilidade e intuição necessárias para se ser um mestre tanoeiro adquirem-se durante os muitos anos de aprendizagem e experiencia, e continuam a ser afinadas durante toda uma vida de trabalho.

De facto mestres tanoeiros – tal como o pai de Adelino Silva – são, apesar de estarem reformados, chamados para ajudar em trabalhos muito exigentes. A sua imensa experiencia é, nestes casos, preciosa. Manuel assevera que o seu pai, hoje com 73 anos, e ainda a trabalhar a tempo inteiro, não pensa em reformar-se: o apelo da sua arte de tanoeiro e o gosto da sua profissão são demasiado fortes.

Port barrel making
Colocação De Um Aro Metálico Num Grande Balseiro

Um Mestre Tanoeiro em acção


Manuel e Adelino são perfeccionistas e têm um brio imenso pelo seu trabalho. O seu conhecimento de cada detalhe da arte da tanoaria é instintivo e treinaram-se a fazer quase tudo a olho. Manuel diz dos tanoeiros, ‘os nossos olhos são a nossa fita métrica’.

Grande parte do trabalho do Manuel e do Adelino é a manutenção de mais de 4,000 pipas e 158 cascos de grandes dimensões que estão nos armazéns da Taylor’s em Vila Nova de Gaia e no vale do Douro.

Cooper's tools
As ferramentas de um tanoeiro

Todos os cascos têm de ser inspeccionados e limpos com frequência para assegurar que o ar consegue atravessar a madeira e chegar ao vinho. Numa operação de grande envergadura, os cascos que apresentam sinais de fuga de vinho são totalmente desmontados pelos tanoeiros e a madeira velha é usada para construir novos cascos que, preencham os requisitos necessários ao envelhecimento definidos pelos enólogos da Taylor’s.

Manuel consegue sempre reconhecer um casco construído por si. Para um leigo eles podem parecer todos iguais, mas para um tanoeiro todos têm diferenças subtis impressas no casco pelo respectivo tanoeiro.

Madeira e Vinho em perfeita harmonia


Trabalhando com o enólogo Manuel Aranha, os tanoeiros e a sua afinada arte desempenham um papel essencial no envelhecimento do vinho do porto Taylor’s.

Uma das principais funções dos cascos de madeira na produção do vinho do Porto é a de permitir um limitado mas constante contacto do vinho com o ar. É este delicado arejamento que amacia os taninos do vinho, tornando-o mais suave e redondo, produzindo os complexos e delicados aromas de um vinho envelhecido em madeira.

Ao longo dos muitos anos de uso, a madeira absorverá algum vinho do Porto. A idade média de um casco da Taylor’s é de cerca de 40 anos, e por isso é extremamente importante saber que vinho do porto envelheceu em determinado casco para se poder decidir qual o vinho do porto que vai envelhecer em seguida.

Diferentes tipos de cascos permitem diferentes tipos de envelhecimento, conferindo ao vinho diferentes propriedades, e é este conhecimento que vai pesar na escolha do casco a utilizar. Numa pipa, cuja capacidade é de cerca de 600 litros, o vinho tem maior contacto com a madeira do que num tonel ou balseiro. As pipas são geralmente usadas para envelhecer os vinhos do Porto Tawny, pois conferem maior suavidade, riqueza aromática, sumptuosidade e amaciam o vinho.

Grandes balseiros ou tonéis, cuja capacidade é de pelo menos 20,000 litros, são usados para envelhecer estilos de vinho do Porto mais frutados, tais como o Taylor’s First Estate Reserve ou o Late Bottled Vintage, de estrutura firme, vigor jovem e sabores frutados.
 

O Diabo no Detalhe


Mestres tanoeiros como o Manuel e o Adelino são compreensivelmente orgulhosos do seu trabalho e da sua arte; adquirida ao longo de uma vida. Conta a lenda de um antigo tanoeiro: quando o diabo veio à terra aprender os segredos da inteligência dos homens, para melhor poder fazer mal e interferir, o único oficio que não consegui aprender foi o de tanoeiro.

Por isso vamos brindar à arte da tanoaria e ao diabolicamente bom vinho do Porto Taylor’s.

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